Campina Grande

Qual a lógica em fechar apenas um segmento da economia?

Isolamento social em Campina Grande continua com baixíssima adesão

05/05/2020 11h34
Por: Redação

A cidade de Campina Grande tem passado por um isolamento muito peculiar, embora alguns relatos coincidam com outros verificados em todo o país. Contudo, a peculiaridade da rainha Borborema está no fato de que diversos segmentos continuam em atividade, estando fechados, única e exclusivamente, o setor de serviços (bares e restaurantes), e o setor lojista (sobretudo aquele setor que atua na área central da cidade.

Rua Maciel Pinheiro, centro de Campina Grande
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Como é de conhecimento geral, o isolamento social tem se mostrado como a medida mais eficaz para o combate ao covid-19, tendo alcançado ótimos resultados onde quer que tenha sido implantado.

Mas o que ocorre em Campina Grande, hoje, pode ser tudo, menos um isolamento social. E as imagens falam por si, como esta abaixo, da área central da cidade, mostrando a aglomeração bem próxima à agência Central da caixa econômica.

Aglomeração próxima à agência central da caixa econômica
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Nem é preciso ser especialista para concluir que, com tão pouca adesão, a transmissão comunitária do covid-19 continuará aumentando, de modo que as restrições deverão ser extendidas por muito tempo, e é exatamente isto que tem preocupado os segmentos que estão com suas atividades suspensas. 

Neste sentido, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campina Grande, Artur Bolinha, tem lançado uma campanha pelo retorno das atividades de seu segmento, já que, segundo levantamento interno, cerca de 70% dos estabelecimentos estão abertos, enquanto apenas 30% continuam fechados.

Artur Bolinha, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campina Grande
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Os lojistas garantem que conseguem oferecer muito mais segurança a seus clientes, que os estabelecimentos atualmente em funcionamento, já que as lojas não tem tendência a gerar aglomerações, ao contrário dos bancos e supermercados.

Mas a guerra midiática contra os lojistas é grande e parece contar com uma espécie de estrutura organizada. Setores da imprensa, políticos e até perfis falsos disseminam informações falsas, no sentido de gerar uma animosidade entre a classe empresarial ligada à CDL e a população em geral, como se aqueles empresários não reconhecessem a gravidade da pandemia e somente eles quisessem abrir o comércio, quando na verdade, somente eles estão impedidos de abrir seus estabelecimentos. 

Na guerra de narrativas, a administração municipal preferiu escolher aquela que lhe é mais conveniente, a de continuar fingindo que todos estão cumprindo o isolamento e que brevemente as coisas voltarão ao normal.

Na contramão disto, um médico da rede municipal de saúde de Campina Grande, ouvido sob condição de anonimato, reafirmou a relevância do isolamento social, fazendo a ressalva de que, sob as atuais condições, os resultados serão praticamente nulos. Para ele, o ideal seria o lockdown, o mesmo método que a partir de hoje será adotado em São Luís (MA). Não sendo este o caso, ele não vê motivos para restringir segmentos específicos, pois caso se adotassem as medidas de higiene indicadas, todos os setores poderiam seguir normalmente. "É a circulação de pessoas, sem a adoção de procedimentos de higiene, que faz com que o vírus circule. Se as pessoas continuam circulando, o fechamento de um ou outro segmento é irrelevante. Porém, mesmo com a alta circulação de pessoas, se todos adotassem as medidas de higiene cabíveis, o virus também deixaria de circular. Assim, há duas alternativas que podem trazer sucesso no combate ao covid-19: ou se adota o lockdown, ou 100% das pessoas que circularem cumprem as medidas de higiene".