ELEIÇÕES 2020

Quando a fake news é local, parece não haver problema

Notícias falsas chegaram à imprensa nacional

30/08/2020 10h03Atualizado há 3 meses
Por: Editorial
Movimento do dia 27 de abril de 2020
Movimento do dia 27 de abril de 2020

Na manhã do dia 27 de abril do corrente ano, uma segunda-feira, dezenas de comerciários, assim como comerciantes, participaram de um protesto na rua Maciel Pinheiro, centro de Campina Grande, reivindicando a abertura daquele segmento econômico, nos mesmos moldes do que se dava com diversos outros, como a rede bancária, os supermercados, farmácias, etc. Na verdade, àquela altura, apenas o setor lojista estava integralmente fechado.

O protesto não reivindica o descumprimento das medidas sanitárias, nem se tratava de um movimento negacionista, pois todos estavam conscientes de que a pandemia era real, que era preciso cumprir as orientações dos órgãos de saúde, etc.

Sabe-se lá por qual motivo, alguns movimentos políticos disseminaram a ideia de que os comerciários não tinham interesse naquele movimento, como se eles não percebessem o risco que corriam. Risco mesmo de perderem seus empregos.

De lá pra cá, nenhuma vacina surgiu, os índices de contaminação e de vítimas fatais continuam altos, mas amanhã, 31 de agosto, você poderá notar, caso dê uma passada no centro da cidade, que o comércio está reaberto e funcionando dentro da normalidade, conforme tudo aquilo que se previa no final do último mês de abril.

Analisando como a atividade comercial se encontra hoje, sob a perspectiva de queda dos índices de vítimas fatais, no estado da Paraíba, é perceptível que a bandeira levantada naquele movimento estava absolutamente correta. Em síntese, não havia motivo para que o setor lojista permanecesse fechado, enquanto outros permaneciam em pleno funcionamento. 

Mas, além disso, anti a possível ressalva dos mais radicais, que podem alertar que os índices atuais ainda são altos, lembramos que as agências bancárias, os supermercados e outros setores continuam aglomerando pessoas, fato que não ocorre, em hipótese alguma, com as lojas.

Ocorre que, sabendo hoje que aquele movimento de comerciantes e comerciários era válido, e suas reivindicações eram pertinentes, deve-se salientar que a reação de alguns setores, contra o mesmo, não é fruto de uma simples interpretação equivocada dos fatos, tampouco se deve atribuir ao medo de propagação da pandemia.

Tratou -se, antes de qualquer coisa, de uma ação político-eleitoreira, conveniente para diversos setores.

Para quem não sabe, um dos principais líderes do movimento foi o empresário Artur Bolinha, uma das principais vozes da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campina Grande. Por coincidência, Artur Bolinha já era, naquela época, pré candidato a prefeito da cidade, e era notório seu crescimento em alguns setores, sobretudo os mais alinhados à direita.

Assim, pelo próprio perfil de empresário, ligado a setores mais conservadores, seria natural esperar a repulsa dos políticos e militantes de esquerda, o que de fato aconteceu, mas nunca foi uma novidade, já que, quem quer que se diga conservador e tenha uma empresa, por mais benevolente que seja, é visto como inimigo por algumas pessoas.

Contudo, a novidade ficou por conta da conveniência de alguns setores que se dizem de direita, que reivindicam as bandeiras conservadoras, mas além de silenciarem a respeito de um movimento justo, instigaram outros segmentos, inclusive a imprensa, para que destruíssem a imagem daquele empresário (e político), e também do movimento. 

O resultado foi por demais exitoso (para eles), pois as notícias chegaram às manchetes nacionais. E chegaram, não pela verossimilhança dos fatos, mas pela conveniência que a aquela notícia trazia à narrativa do momento: um grupo de empresários coagindo funcionários à participação em um movimento, de joelhos, era tudo de que eles precisavam.

Mas, aqui, entramos no ponto fundamental deste editorial, no qual nos propomos a sustentar a hipótese de que, além de uma fake news, tratou -se de uma estratégia política mais bem elaborada: quais as conclusões a que chegaram os órgãos responsáveis por apurar os supostos abusos? Alguém procurou saber? Os supostos comerciários que se disseram coagidos afirmaram o quê, em suas oitivas? Eles foram ouvidos, não é mesmo? 

E sobre as pessoas que se ajoelharam para rezar, é preciso mesmo coação, mesmo com um religioso presente, que de forma espontânea puxou algumas orações?

Pessoas se ajoelham em templos católicos e evangélicos, ou mesmo em locais públicos, onde ocorre algum tipo de culto, pois isto é algo inerente à religiosidade. Se aquelas pessoas se dispuseram a participar de um momento de oração, por que imaginar que elas teriam que ser coagidas a se por de joelhos? 

Por outro lado, estas pessoas, que defendiam a permanência do isolamento total para os lojistas, fizeram o que, até hoje, para tentar salvar os empregos dos comerciários? 

A saber, procuramos informações a respeito dos procedimentos instaurados e, ao que parece, tudo não passou de um grande e conveniente teatro. 

Assim, sem uma cpi das fake news local, nem interferência do poder judiciário, o que só ocorre a nível nacional, algumas pessoas são destruídas publicamente, enquanto outras colhem os louros.