Calvário

Ricardo afirma que irregularidades na Secom motivaram anotações em agenda apreendida

Os desvios teriam sido praticados pela secretaria de comunicação do estado

14/03/2020 10h59Atualizado há 8 meses
Por: Fabrício Vieira

 

Durante entrevista concedida na última sexta-feira (13), à rádio Sanhauá, o ex governador Ricardo Coutinho apresentou sua versão, para anotações contidas numa agenda apreendida pelo Gaeco, na sétima fase da operação calvário. 

Dentre os nomes, para quem teriam sido destinados pagamento de propina, estariam os do radialista Fabiano Gomes e do Jornalista Luís Torres (então secretário de comunicação do estado). 

Segundo o ex governador, as anotações foram feitas a partir dos relatos de um delator, que lhe trouxe informações destas irregularidades, tais como locação de palcos e outros equipamentos que nunca foram usados. 

Segue, abaixo, trecho da entrevista do ex governador:

“Eu recebi a visita, por três vezes, de um delator da operação lá de Cabedelo. Nessa visita eu percebi, que nenhum delator viria falar comigo se não houvesse a aquiescência do Ministério Público.  Ele me trouxe uma série de relatos. Relatos da Secom. Primeiro sobre a história do lixo de Cabedelo. Ele dizia que o lixo dava R$ 30 mil para um determinado radialista (eu conto o nome na justiça) que eu escrevi no papel e esse radialista tirava uma parte e distribuía para coleguinhas, o famoso “couro de rato”, R$ 500,00 para um, R$ 300,00 para outro e me disse o nome de quem distribuía, eu anotei. Em seguida, falou de retornos de dinheiro dentro da Secom. Por exemplo, você sabe que eu nunca usei palco, usava um tablado de 30 cm para todo canto que eu ia porque é mais barato e fazia a inauguração com duas caixas de som. De acordo com esse delator, que na época trabalhava na Secom, o empenho saía  como sendo de um palco grande e esse dinheiro voltava e eu fui anotando isso. É isso que está lá (nas anotações). Eu anotei suspeitos mal feitos de outros”